sábado, 1 de julho de 2017

"QUAL CIDADE QUEREMOS NOS MUSEUS?"

Moro em Porto Alegre há quatro anos e meio e, de certa forma, ainda me considero uma turista. Presa na rotina, vou aos poucos conhecendo essa cidade que não é a minha preferida, mas que certamente tem seus encantos. Felizmente a disciplina “Museu, Patrimônio e Cidade” me permite descobrir alguns desses encantos, como foi o caso da Travessa dos Venezianos, um conjunto de 17 casinhas coloridas preservadas por tombamento pelo município.
Falando em cidade, a palestra da professora Zita Possamai, durante 15ª Semana Nacional de Museus no Museu Joaquim José Felizardo - o museu da cidade, veio a calhar com meu comentário acima. "Não se conhece verdadeiramente um lugar sem visitar o museu da cidade", disse. Com o tema "O museu na cidade, a cidade no museu e o museu de cidade", trouxe em sua fala o papel e as relações entre o trio museu-cidade-pessoas.
Sobre o primeiro aspecto, o museu na cidade, fica clara a importância dos museus quando viajamos para algum lugar novo, por exemplo, pois é dentro dessas instituições que procuramos aspectos referentes às pessoas, à cultura e aos valores locais. Em certos casos, o próprio museu é quem faz a cidade, colocando-a no “mapa” (caso do Guggenheim em Bilbao), ou ainda pode chamar a atenção para um território que até então era ignorado (como o Museu Comunitário da Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre).
A cidade no museu apresenta olhares da cidade dentro de um espaço limitado que é o museu, mas que apresenta infinitas possibilidades de abordagens. Não poderia deixar de citar o exemplo da professora Zita que me encantou: o Museu da Inocência em Istambul. Partindo de um livro, esse museu traz a história da cidade no século XX, o que é muito curioso considerando que o maior atrativo dos turistas é a história milenar de Istambul.
Por último, e mais especificamente, o museu de cidade nos diz muito sobre as escolhas daquilo que está sendo preservado. O que é apresentado ao público? Que história está sendo contada? O que está faltando? Um museu jamais abarcará a totalidade da cidade - e nem deve! - e é essencial entender suas escolhas.
Eu já tive meus altos e baixos com o curso de Museologia, mas meu amor pelos museus nunca esteve em questão. Acho incrível a capacidade que os museus têm de trazer tantas abordagens e temáticas em lugares tão distintos, das grandes cidades às pequenas vilas, mas principalmente por envolver as comunidades em torno da memória e da preservação.


[Postagem para a disciplina de Museu, Patrimônio e Cidade referente ao encontro do dia 16/05/2017]

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